Essenciais na pandemia, motoristas querem fazer a diferença na política

Um dos setores essenciais para evitar o colapso da economia em 2020 foi o transporte. Motoristas de transporte coletivo, de carga e até os particulares garantiram, ainda que precariamente, a atividade econômica ao longo do ano passado.

O PSL também faz parte da história destas pessoas. Em primeiro de janeiro, diversos profissionais destas áreas tomaram posse após terem sido eleitos em novembro. Foram 42 ao todo, entre cobradores e motoristas de transporte coletivo, de carga, motoristas particulares e taxistas.

Francisco Naves (divulgação)

Dentre esses, Francisco Gonçalves Naves é o único prefeito. Eleito para administrar a cidade de Araguainha (MT), Naves foi impactado diretamente pela pandemia do novo coronavírus. Ele tinha uma pequena lanchonete na cidade de pouco mais de mil eleitores. Teve que fechar as portas e dedicar-se, exclusivamente ao trabalho de motorista, dentre eles para a Coca-Cola e para Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial.

A política, no entanto, está no sangue. “Minha família já teve alguns vereadores e quando surgiu a oportunidade eu resolvi aproveitar. Foi fácil não, a campanha foi à base de doações, a gente não tinha dinheiro”, recorda o prefeito.

Por conhecer cada avenida de Araguainha, Naves sabe de tudo o que precisa para dar dignidade aos moradores. “Temos muitas ruas sem asfalto. Na chuva tem lama, na seca tem poeira. Precisamos pavimentar a cidade toda, reconstruir a rede de eletrificação”, avisou.

O prefeito também pretende cuidar da saúde e construir uma cobertura para a garagem de ônibus municipal. E cobra do governador ajuda para cobrir a única quadra de esportes da cidade. “Quando chove, as crianças saem chorando porque não podem mais jogar bola. Eles precisam de um lugar para os campeonatos e para praticar esportes”, alertou Naves.

Pastor e motorista de olho na educação

André Paixão (divulgação)

André Paixão mora em Tanguá (RJ) mas trabalha em Maricá (RJ), cidade que tem um orçamento considerável por causa dos royalties de petróleo. Pastor da Igreja Assembleia de Deus, André também era motorista da empresa EPT (Empresa Pública de Transportes), que circula de maneira gratuita pelo centro de Maricá, sustentada, justamente, pelos recursos vindos do petróleo.

André é muito ligado ao prefeito de Tanguá, Rodrigo Medeiros, do PP, e acabou sendo convidado para concorrer a vice-prefeito. Tiveram 13.070 mil votos em uma cidade que tem cerca de 35 mil habitantes e pouco mais de 24 mil eleitores. A pequena cidade do interior fluminense foi emancipada em 1995 e só teve o primeiro prefeito eleito em 1997. Rodrigo é o quarto administrador municipal, já que todos seus antecessores foram reeleitos.

Mas foi o trabalho na Igreja que fez com que André sentisse em cores mais vivas as necessidades das pessoas. “Nosso grande desafio será ajudar os mais pobres. Queremos investir em educação e e implementar políticas públicas para diminuir a violência”, diz o vice-prefeito, ciente de que as duas prioridades andam juntas.

Eles correm contra o tempo e 2021 já começa com urgências. Segundo André, a cidade tem dezoito unidades educacionais. Os planos da gestão são para que, ainda este ano, seis delas passem a funcionar em tempo integral. “Chegamos a ficar entre as 50 melhores cidades no ranking do Ideb, mas depois despencamos. Queremos dar oportunidade para as crianças estudarem, praticarem esportes e terem locais para lazer para ficar longe das drogas”, explica o vice-prefeito.

Covid, infarto e uma voz para as mulheres

Rosângela Teixeira (divulgação)

Rosângela Alves Teixeira, a Tia Rosa da Van, vereadora por Alexânia (GO) não tem medo de cara feia nem de dificuldades. Eleita com 309 votos, ela venceu a covid-19, teve um infarto este ano e ainda assim, em 20 dias de campanha, foi eleita vereadora para mostrar às mulheres da cidade que elas são capazes. “Nós administramos nossas carreiras, nossas casas, nossos filhos, até nossos maridos, quando eles não nos ajudam. Por que não saberemos administrar uma cidade”? indaga, confiante em seu potencial.

Rosângela é motorista de van de transporte escolar – que teve de interromper durante a pandemia – de transportes de hóspedes do resort Tauá e de clientes para o Outlet Premium de Alexânia, famoso pelos bons preços que atraem turistas e consumidores de todo o país. E foi o Outlet que mostrou, de forma explícita, a perseverança de Tia Rosa em conseguir o que quer.

Durante a construção do complexo comercial, ela era a responsável por levar os trabalhadores para o canteiro de obras. Quando tudo ficou pronto, outros empresários de transporte foram atraídos e Rosângela acabou escanteada, proibida de fazer o trecho. “Aos poucos eles foram indo embora e ficamos apenas nós”, comemora, com um sabor de vingança na boca.

A política entrou de forma natural na vida dela. Antes filiados ao DEM, ela e um sobrinho – casado, na verdade, com uma sobrinha de sangue – ajudaram a estruturar o PSL na cidade. Ele chegou a concorrer a vice-prefeito, mas apenas ela teve êxito eleitoral. “Todo mundo na cidade me conhece. Eu rodo 500 km por dia com minha van”, justifica. “Quem tem um sonho não pode desistir. Eu quero mostrar para as mulheres que elas são capazes de conseguir o que ela quiserem”, conclamou.

Além da bandeira das mulheres, Rosângela quer atuar na área social e ajudar as crianças com deficiência. “Sempre tive muito orgulho de dirigir, e sou formada em administração de empresas. Se for para ser mais um na política, eu não quero. Meu objetivo é fazer a diferença”, prometeu.

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