Capivari de Baixo (SC): o desafio de replanejar a matriz econômica

Crédito: Prefeitura de Capivari de Baixo

Capivari de Baixo, cidade que foi emancipada de Tubarão (SC), completa 29 anos nesta terça-feira, dia 30 de março. O município de pouco mais de 26 mil habitantes possui o maior complexo termelétrico da América do Sul, com capacidade para produzir 857 MW de energia e assegurar o fornecimento de energia para suprir a demanda de 20% da população catarinense.

A segurança energética embute, no entanto, a necessidade de mudanças de rotas. O debate ambiental vilaniza o carvão e obriga Capivari e todas as cidades da região, como Tubarão e Criciúma, a reverem suas matrizes econômicas. Sobretudo porque os subsídios concedidos pelo governo federal para esta atividade industrial se encerram em 2027.

Em Capivari de Baixo, este realinhamento está por conta do prefeito Vicente Correia Costa, do PSL. Médico de formação, ele foi eleito com 5.492 votos recebidos dos pouco mais de 26 mil habitantes da cidade. Curiosamente, a votação foi menor do que a recebida por ele em 2016, quando ficou em segundo lugar. Na época, Vicente recebeu 7 mil votos.

“A maior parte do meu eleitorado é formado por pessoas idosas, especialmente mulheres. Minha formação é de médico generalista, e esse é meu público-alvo. Mas em 2020 a pandemia provocou uma grande abstenção nessa parcela do eleitorado”, explica o prefeito.

Diferentemente dos pais e avós, Vicente não é natural de Capivari. Ele nasceu em Santa Rosa de Lima, distante 70 km da cidade que agora governa. Mas sabe bem as dificuldades de fazer política em cidades relativamente pequenas nas quais o eleitor sabe bem em quem está votando. “Em Santa Rosa, um cunhado, candidato, brigou com outro, eleitor, em um bar, às vésperas da eleição. Perdeu a disputa para a prefeitura exatamente por um voto”, diverte-se o hoje eleito prefeito de Capivari de Baixo.

Vicente já estuda, em conjunto com os prefeitos de outras cidades da região, alternativas econômicas dentro de um cenário de sustentabilidade produtiva. “30% da do PIB do sul de Santa Catarina vem da cadeia do carvão. Precisamos encontrar uma nova matriz de desenvolvimento”, admite.

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