Filha da Guerra do Paraguai, Boa Vista do Cadeado (RS) completa 25 anos

Crédito: Prefeitura de Boa Vista do Cadeado

Boa Vista do Cadeado (RS), emancipada em 1996 do município de Cruz Alta, completa 25 anos nesta sexta-feira (16). A cidade de 2,4 mil habitantes, teve que esperar quatros anos entre a emancipação e a eleição do primeiro prefeito, em 2000. Isso porque a data da independência não veio a tempo de eleger os novos administradores municipais no mesmo ano da separação.

A cidade gaúcha tem as suas origens ligadas diretamente à um episódio histórico crucial da vida brasileira. A cidade foi fundada por comandantes militares portugueses, que receberam terras, estâncias e fazendas de Dom Pedro II, com a missão de utilizar seus soldados para proteger as fronteiras brasileiras. “O Império não conseguiria vigiar essas terras após a Guerra do Paraguai. Foi assim que as bases de nossa cidade foram lançadas”, recorda o prefeito João Paulo Beltrão.

Hoje o município traz a herança da tradição da forte colonização portuguesa, mixada com a vinda de migrantes alemães e italianos. Por pouco a cidade não foi parar nas mãos dos vizinhos. Só ficou brasileira por conta do tratado de Madri, quando o Brasil trocou com Uruguai a província de Sacramento para ficar com Missões, cidade próxima à Boa Vista do Cadeado.

Já o nome tem ligação com os tropeiros gaúchos, que levam os cavalos e os jumentos do Rio Grande do Sul para São Paulo. Quando as colunas de viajantes chegavam à cidade, viam um portão fechado com um enorme cadeado do tamanho de uma mão, protegendo a cidade de possíveis invasores. E Boa Vista remete à visão privilegiada que a cidade, localizada a 430 acima do nível do mar, proporciona a moradores e visitantes em relação aos municípios vizinhos.

João Paulo governou a cidade pela primeira vez entre 2004 e 2012 pelo MDB e, hoje, administra o município pelo PSL. Ele recebeu 1287 votos no ano passado, o que representa 70% do eleitorado. Médico veterinário, o prefeito aposta na educação para manter a população, especialmente a feminina, na cidade.

“Nossos conterrâneos têm condições de custear os estudos dos filhos, inclusive em cidades próximas. Muitas vezes, os meninos retornam para trabalhar nas fazendas com os pais. Mas como não temos tradição de mulheres trabalhando neste setor aqui na cidade, as meninas acabam se formando e não retornando para a cidade. Queremos criar um mercado de trabalho atrativo para que elas também permaneçam com a gente”, afirmou o prefeito.

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