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16/10/2018 - Notícia

Jair Bolsonaro fala ao Jornal Hora Extra. Leia, na íntegra, a publicação.

Seguindo a sugestão de um minúsculo grupo de amigos juristas de Minas Gerais –   uma espécie de think tank do pão de queijo, discretíssimo e intelectualmente muito lúcido (previram, dentre outras tantas coisas, a vitória de Bolsonaro três anos atrás) – resolvi fazer o que parecia impossível: bater às portas do candidato à presidência Jair Bolsonaro e fazer uma entrevista com ele.  A ideia seria fazer uma entrevista em que a fala e as ideias fossem do candidato, não dos entrevistadores.

Após alguns cafés entre amigos, alguns telefonemas e uma ida ao gabinete parlamentar do candidato, finalmente veio a notícia. Seria recebida por Jair Bolsonaro em sua casa. Meus amigos mineirinhos acertaram de novo. O que parecia impossível aconteceu. Em face do preço surreal das passagens aéreas quando compradas em cima da hora (olha a falta de concorrência aí!), resolvemos ir de carro mesmo. Só no Brasil uma ida e volta de cinquenta minutos de voo tem o mesmo preço de uma passagem para a Europa.

Chegamos: portaria, segurança e adentramos ao discreto condomínio em uma Praia do Rio de Janeiro. Na casa do deputado, mais seguranças  e policiais – todos cordiais, mas atentos. Fomos recebidos pelo filho Carlos Bolsonaro – uma simpatia –  que nos contou detalhes do hediondo atentado e da traumática cirurgia sofrida por seu pai. Num determinado momento, sai para nos cumprimentar uma linda garotinha, ainda sonolenta e de pijama: Laura, 07 anos, filha de Jair Bolsonaro. Sou mãe. Impossível não pensar que essa garotinha quase ficou sem pai.

De repente, sem protocolo ou cerimônia, aparece Jair Bolsonaro. Sorridente, mas ainda visivelmente abatido e ainda apresentando cansaço. Consta que o candidato perdeu 15 quilos.

Claudia Wild: Deputado Bolsonaro, qual  o recado o senhor gostaria de deixar para a comunidade internacional?

Jair Bolsonaro: O cartão de visitas que eu apresento para a comunidade internacional são minhas idas à Coréia do Sul, Japão,  Israel e Estados Unidos. Eu demonstrei com quais países, com qual perfil de país, nós queremos prioritariamente restabelecer nossas ligações. E eu quero também afastar aquela sombra de desconfiança no tocante ao Brasil: é tradição nossa elegermos corruptos e inimigos dos Estados Unidos. Tenho demonstrado, muito, que a nossa tônica não será essa. Nós seremos realmente amigos de países como esses que eu tenho citado. Tenho dito que a primeira viagem minha, caso eleito, será para Israel. A segunda, para os Estados Unidos. Temos alguns interlocutores junto ao governo americano. Em chegando (à presidência), nós pretendemos aproximar, buscar o bilateralismo.

CW: O cientista político Walid Phares informou em seu Twitter que o Irã estaria interferindo nas eleições brasileiras com a ajuda da Síria e do Líbano. O Senhor tem ciência desse fato?

JB:  Sim, temos conhecimento e já passamos para as autoridades responsáveis. Há muito interesse geopolítico envolvido nas eleições brasileiras.

CW: A imprensa nacional e internacional tem se referido ao senhor com adjetivos nada agradáveis. Algo a dizer?

JB:  Boa parte dos jornalistas internacionais recebem releases da imprensa nacional e os repercutem. Esses rótulos, esses rótulos…  Olha só: me chamam de racista. Minha filha é neta do “Paulo Negão”, que tem sangue negro e nordestino. Esse negócio de machismo, ora, foi uma frase que proferi a uma deputada, no calor de uma discussão. As pessoas, antes de formar opinião, tinham que ver o que eu falei, não o que dizem que eu falei. Sobre os gays, posicionei-me contra o kit gay nas escolas, para crianças na faixa de seis anos de idade.

CW: Falam também em fascismo. Lula declarou, em 1979, em entrevista à Revista Playboy, admirar Hitler e Mao Tse Tung. (Aliás, ele nunca se retratou disso). O senhor tem alguma referência de estadista?

JB: Margaret Thatcher.

CW: Com relação à lei de imigração recentemente aprovada – e muito controvertida – qual é sua opinião?

JB: O estado de Roraima tem recebido muitos refugiados da Venezuela.  Esses refugiados, coitados, são pessoas sofridas. Fogem de um regime horrível. Mas o Estado brasileiro tem o dever de controlar quem entra e sai do país. É questão de segurança. Vamos rever essa lei aí… 

CW: Com relação às inúmeras novas embaixadas criadas na era petista, há muitas críticas sobre os critérios de seleção dos países escolhidos. Qual é sua opinião sobre isso?

JB: Veja bem, esse foi um critério… um critério problemático. O PT saiu abrindo embaixadas em países sem a menor relevância comercial ou estratégica para o Brasil. A ideia petista era agradar esses países para obter votos para uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Não temos bomba atômica e não vejo essa necessidade de estarmos no Conselho de Segurança. Essas embaixadas geram muitas despesas. Passaremos um pente fino nisso aí.

(Bolsonaro saca o celular e nos mostra vídeo de um comício de Haddad, no qual Guilherme Boulos da extrema esquerda, incita uma turba de milhares de pessoas a invadir a residência do candidato. O vídeo é chocante. Impossível não pensar na menina Laura, que acabávamos de conhecer. Falamos do atentado à faca proferido por um ex-militante do PSOL . Neste momento, o candidato se mostrou visivelmente emocionado e suspendemos alguns instantes a entrevista.)

CW: Somos um país com muita pobreza. O que o senhor acha do gasto de dinheiro dos pagadores de impostos para a grande imprensa?

JB:  Olha, tem os anúncios… anúncios das estatais e dos governos. Há também uma desproporcionalidade entre a audiência e número de leitores e essa distribuição de verbas. Isso tem que ser revisto.

CW:  Para finalizar, estando o senhor a poucos dias do segundo turno, qual a mensagem que o senhor gostaria de deixar?

JB:  Quero ser o presidente de todos os brasileiros, um presidente honesto e com Deus no coração, patriota, que respeitará  a família, as crianças em sala de aula,  que respeitará a lei, que procurará promover o comércio com nações prósperas e democráticas, sem viés ideológico. Mas que pegará pesado com a questão da segurança pública. É preciso unir nosso povo, brancos, negros, nordestinos, sulistas, para buscar o bem de todos.

(Aproximando-se de uma hora e em virtude do estado de saúde do candidato, encerramos a entrevista com uma despedida cordial. Já cansado, Bolsonaro não perdeu seu excelente humor: “Queria conhecer a louca que escrevia textos sobre mim e tinha coragem de falar algumas verdades necessárias.”)


Fonte: Jornal Hora Extra | Por Claudia Wild (Acesse)